Resumo rápido
CAF (LEEP): excisão da zona de transformação com alça elétrica. Tratamento padrão para NIC 2/3. Ambulatorial, anestesia local, 15-30 min. Margens livres = remoção completa. Seguimento pós-CAF por 20-25 anos (risco residual aumentado). Risco leve de parto prematuro com excisões extensas em mulheres jovens.
A CAF (LEEP) remove a zona de transformação do colo com alça elétrica de alta frequência. É o tratamento padrão para NIC 2/3 confirmada por biópsia. Ambulatorial, com anestesia local. Fornece peça para análise histopatológica com avaliação de margens. Seguimento rigoroso pós-CAF por 20-25 anos.
O que entender sobre este tema
A cirurgia de alta frequência (CAF) — também conhecida como LEEP (Loop Electrosurgical Excision Procedure) — é um procedimento cirúrgico ambulatorial que utiliza uma alça de fio metálico aquecido por corrente elétrica de alta frequência para remover a zona de transformação do colo do útero e as lesões nela contidas.
A CAF é o procedimento de escolha para o tratamento da neoplasia intraepitelial cervical de alto grau (NIC 2 e NIC 3) confirmada por biópsia. Remove a lesão e fornece material para análise histopatológica — o que permite verificar se as margens cirúrgicas estão livres (lesão completamente removida).
O procedimento é realizado ambulatorialmente, com anestesia local (injeção de lidocaína com vasoconstritor no colo). A paciente permanece em posição ginecológica. Uma alça de tamanho adequado à zona de transformação é usada para excisão do tecido. O procedimento dura 15 a 30 minutos. Hemostasia é feita com eletrocoagulação.
As margens cirúrgicas do cone da CAF são avaliadas pelo patologista: margens livres indicam remoção completa da lesão (menor risco de recidiva). Margens comprometidas (lesão chegando às bordas do cone) exigem seguimento mais rigoroso e, em alguns casos, re-excisão ou histerectomia.
As complicações possíveis incluem: sangramento (imediato ou tardio — o mais comum, em 2-5% dos casos), infecção, estenose cervical (estreitamento do canal — mais raro, mais frequente com excisões repetidas ou muito profundas) e, em mulheres jovens com paridade não cumprida, risco aumentado de parto prematuro em gestações futuras com excisões extensas.
O seguimento após a CAF inclui: preventivo + colposcopia em 6 e 12 meses após o procedimento, depois anualmente por 2 anos, depois rastreamento de longo prazo conforme as diretrizes — por 20 a 25 anos após o tratamento de NIC de alto grau, dado o risco residual aumentado ao longo da vida.
Quando a CAF está indicada
CAF indicada para: NIC 2 confirmada por biópsia (especialmente com HPV de alto risco ou sem perspectiva de regressão), NIC 3, adenocarcinoma in situ (AIS) cervical, e em casos de discordância significativa entre preventivo (HSIL) e biópsia (NIC 1) que exigem excisão diagnóstica. NIC 1 geralmente não exige CAF — a observação é a conduta padrão.
Como a CAF é realizada na prática
Com a paciente em posição ginecológica e o colposcópio posicionado, o médico injeta lidocaína com vasoconstritor no colo (4 quadrantes). A alça de tamanho adequado é escolhida conforme o tamanho da zona de transformação. Uma passagem da alça em movimento contínuo remove a zona de transformação e a lesão em bloco. A base é coagulada. O material é enviado em frasco com formol para histopatologia.
Seguimento pós-CAF: por que é tão prolongado
Mulheres tratadas de NIC de alto grau têm risco residual de recidiva ou de novo câncer de colo por décadas. Estudos de longo prazo mostram risco aumentado de câncer cervical por 20 a 25 anos após o tratamento. Por isso, o seguimento com preventivo + colposcopia em 6 e 12 meses, depois anualmente por 2 anos, e depois a cada 3 anos até 25 anos após o tratamento é recomendado pelas diretrizes atuais.
Margens comprometidas na CAF: o que fazer
Margem endocervical comprometida (lesão chegando à borda superior do cone, no canal) é a mais preocupante — indica que pode haver NIC residual no canal inacessível. A conduta depende do grau da lesão, da idade e do desejo reprodutivo: re-excisão (nova CAF ou conização), CEC de controle ou, em mulheres sem desejo reprodutivo com NIC 3 em margens, histerectomia pode ser discutida. Margem ectocervical comprometida tem menor risco e geralmente é manejada com seguimento rigoroso.
Perguntas frequentes
A CAF tem risco de infertilidade?
A CAF isolada não causa infertilidade. Mas excisões extensas ou repetidas do colo podem aumentar o risco de incompetência istmocervical (colo curto) em gestações futuras, com maior risco de parto prematuro. Para mulheres jovens com desejo reprodutivo, o médico tenta minimizar a extensão da excisão preservando o máximo de tecido saudável.
CAF e conização são a mesma coisa?
Funcionalmente, sim — ambas removem a zona de transformação em forma de cone. A diferença está na ferramenta: a CAF usa alça de fio elétrico (resultado: cone com margens avaliáveis, procedimento mais rápido). A conização a frio usa bisturi frio (resultado: margens mais nítidas, menos artefato térmico). A CAF é hoje o padrão preferencial por ser ambulatorial e com resultados histológicos adequados.
Quanto tempo dura a recuperação da CAF?
Retorno às atividades leves: imediato ou em 1 a 2 dias. Evitar relação sexual, tampões e atividade física intensa por 4 a 6 semanas. Corrimento com cheiro característico (resíduo do tratamento) por 2 a 4 semanas é esperado. Sangramento leve por 1 a 2 semanas. Buscar avaliação se sangramento intenso ou febre.
Posso engravidar após a CAF?
Sim — geralmente a partir de 3 a 6 meses após o procedimento, com aval médico. O risco de parto prematuro está levemente aumentado com excisões extensas. A gestante com histórico de CAF deve ser acompanhada de perto para avaliação do comprimento cervical por ultrassom.
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